sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ronaldo!

If you forget me - Pablo Neruda

"I want you to know
one thing.

You know how this is:
if I look
at the crystal moon, at the red branch
of the slow autumn at my window,
if I touch
near the fire
the impalpable ash
or the wrinkled body of the log,
everything carries me to you,
as if everything that exists,
aromas, light, metals,
were little boats
that sail
toward those isles of yours that wait for me.

Well, now,
if little by little you stop loving me
I shall stop loving you little by little.

If suddenly
you forget me
do not look for me,
for I shall already have forgotten you.

If you think it long and mad,
the wind of banners
that passes through my life,
and you decide
to leave me at the shore
of the heart where I have roots,
remember
that on that day,
at that hour,
I shall lift my arms
and my roots will set off
to seek another land.

But
if each day,
each hour,
you feel that you are destined for me
with implacable sweetness,
if each day a flower
climbs up to your lips to seek me,
ah my love, ah my own,
in me all that fire is repeated,
in me nothing is extinguished or forgotten,
my love feeds on your love, beloved,
and as long as you live it will be in your arms
without leaving mine."
"Não tenho tempo pra mais nada. Ser feliz me consome!"

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão

Preciso respirar, mas pretendo continuar perdendo o fôlego.

Valorizo certa seriedade na forma de conduzir o pouco sobre o qual eu tenho controle, mas quero chorar de rir evocando a molecagem, a infância, a palhaçada.

Quero meus pés bem firmes no chão, mas vou saltar sem medo da queda, sentindo sinceramente o vento na cabeleira.

Quero que a vida me aponte caminhos para que eu possa escolher e para que eu escolha renunciar. Afinal, já sou bem grandinha pra saber que tudo, não da pra ter. E que cada escolha é também uma renúncia.

Quero o picadeiro, as luzes e a pista cheia, para depois poder voltar para uma cama quentinha e para um abraço que me faça sonhar. Quero um chamego ao silenciar da noite e um café forte na cama ao nascer do sol.

Quero o doce, o frio, o salgado, o quente. Quero os sentidos e os sentimentos. Todos eles no volume máximo. Eu vivo a vida em voz alta. E isso é lindo.

Quero o singular no plural. Quero a transformação no gerúndio. Mudando tudo dentro e fora.

Eu quero a completa intensidade das horas em que plural e singular se misturam. Eu não quero explição. E não quero me explicar. As vezes me sinto como um produto sem manual de instruções. Não sei como me operar. Adoro isso. O previsível sempre me cansou um tanto.

Saibam, eu sempre surpreendo. A mim e aos outros. Isso não tem fim. Espero que nunca tenha.

sábado, 6 de junho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

34 anos daqui a exatamente 1 mês!

Muito bem vividos, diga-se de passagem.

Repletos das alegrias e das dores que fizeram de mim tudo isso e mais um tanto!

Imperfeita assumida e declarada.

Na eterna tentativa de ser uma pessoa mais digna de tudo de incrível que a vida tão generosamente, sempre colocou na altura dos meus olhos atentos e curiosos. E claro, eternamente gratos.

Quem me conhece e gosta, que esteja ao meu lado nessa doce jornada.

Quem não gostar, que saia delicadamente da sala!

terça-feira, 2 de junho de 2009

A vida é uma só

Clichê né. Pois é. Mas as vezes a gente nem se da conta do quão verdadeiro ele é. Se vamos nascer de novo, se vamos reencarnar, se viveremos num condomínio cheio de cachorros lindos correndo de um lado pro outro no céu (minha concepção de céu é essa, um lugar cheio de cachorros lindos e saltitantes) ninguém sabe. E se soubéssemos seria uma falta de sentido isso aqui. Sabe por quê? Porque muitos passariam a vida no sofá esperando que a próxima vida fosse mais movimentada.

Um avião caiu no domingo a noite. Desintegrando promessas de vida nova, de amores futuros, de possíveis filhos, de um reencontro que dolorosamente não acontecerá.

Eu poderia estar lá. Você também. E um de nossos amigos ou familiares. E ainda que nenhum dos nossos conhecidos estivesse la dentro, é impossível não se comover, não se questionar, não se entristecer. Somos todos, absolutamente frágeis. Cristal.

A vida é assim, num segundo tudo está inteiro e no segundo seguinte, tudo pode estar aos cacos. Portanto, eu quero continuar vivendo intensamente. Pingando de suor na pista de tanto dançar. Fazendo com paixão o trabalho que me propus a fazer. Me apaixonando perdidamente. Tendo noitadas de vinho e de riso descontrolado com meus amigos, ainda que eu esteja um caco depois de um dia de trabalho insano.

Eu vou continuar tratando todas as pessoas que me são caras e imprescindíveis com o maior amor desse mundo. Ainda que eu me decepcione, ainda que eu um dia as perca, ainda que elas decidam sair da minha vida sem dizer o motivo. E principalmente, vou fazer acreditando no dia de hoje, que pode ou não ser o último, mas que certamente é único. E é único pois é dele que é feito o agora. E o agora, é tudo o que temos na vida.

Eu quero viver os ganhos sem o medo das perdas. Elas são inevitáveis e uma hora acontece pra todos nós. Eu quero me jogar nas presenças. Quanto às ausências, cabe a cada um de nós sofrê-las sem deixar que a vida pare. Temos todos os nossos momentos de luto. Seja pelas rupturas bruscas dos nossos relacionamentos afetivos, seja pela dor incomparável causada pela morte daqueles que amamos.

Não há como evitar a dor. Uma hora ela chega sem bater na porta e entra, ainda que esteja trancada. Mas há como viver os momentos de alegria até a última gota. Com gratidão, com o coração descompassado de emoção, inocente como o coração das crianças que simplesmente aceitam que nunca saberão do que virá.

Se o amanhã será melhor ou pior, não me interessa saber. Eu quero mais é me jogar no hoje, no agora, no minuto precioso de vida que tenho nas mãos. Ele é só o que tenho, ele é tudo o que preciso. Se for triste, vai passar. E se for feliz, também.

domingo, 31 de maio de 2009

"estamos meu bem por um triz, pro dia nascer feliz"
To verborrágica hj....fiquei mto tempo sem vir aqui e surtei...

Ai genteee!! Essa música é tão bunitinhaaaaaaa!

Grande fase!

Egídio La Pasta Jr., para a revista Paradoxo.

Ela entrou no apartamento pouco depois do sol nascer. Pegou uma garrafa de água e tomou quase de uma vez. Ao fechar a porta da geladeira, grudado por um imã, um papel preso a surpreendeu. A letra ela conhecia bem:


"Eu te esperei. Por alguns minutos alimentei a imaginação faminta de que ao entrar pela porta, eu te encontraria me esperando e um sorriso para iluminar a noite, para acender em nós a possibilidade de que mesmo no final de tudo, ainda é possível - veja que a ironia também pode ser linda – encontrar alguém. Alguém. Eu te esperei boa parte da noite. Impaciente com as conversas sem sentido, os encontros desnecessários, os perfumes fortes. Impaciente mas tolerável. Tolerável, porém seletivo. E quem seleciona, na melhor das hipóteses, é porque têm opções. E opções, você bem sabe, trazem a possibilidade do acerto. Lancei o meu olhar sobre a cidade e isso não te exclui. Apenas não te enaltece. Acertamos durante. Que não segue adiante por razões óbvias que só nos dizem respeito e sobre as quais, já brindamos. Mas acertamos. E é desse acerto, dessa junção de histórias, que eu vou lembrar com especial carinho. Sem rancor, sem desamor, sem mágoas, porque fomos nobres indivíduos que ousaram dizer a verdade quando todos camuflavam as intenções, redesenhavam as frases, compravam óculos escuros."

Uma noite tão boa!!!

Uma mesa cheia de amigos, cheia de encontros e completamente vazia de entrelinhas ou segundas intenções. Entre uma taça e outra de vinho, a cumplicidade, o carinho, o riso fácil, franco, gratuito!

Cigarros compartilhados, fumaça pra todo lado, mais uma garrafa e outra. Falávamos dos planos, dos acertos, das possibilidades.

A noite seguiu seu curso enquanto nós, os sete amigos inseparáveis, que há algum tempo não nos víamos, só queríamos estar ali.

Foi um encontro não agendado, não combinado, que simplesmente aconteceu. Uma mensagem no final da tarde, a sugestão do restaurante e cada um de nós disse sim sem titubear nem dar desculpas esfarrapadas.

Todos nós estávamos tão cheios de novidades. Falamos de coisas boas, citamos pessoas especiais, não concluímos coisa alguma a não ser que o melhor da vida é deixar que ela siga nos encantando.

Foi uma noite simples e por isso mesmo, simplesmente incrível. Tão feliz. Tão cheia das melhores energias.

Vou dormir com aquela sensanção que temos quando capturamos no ar um detalhe que colore a noite inteira com as tintas mais intensas e luminosas.

Deus está nos amigos. E isso é lindo demais!

Amo essa música!

sábado, 30 de maio de 2009

Tempo de renascer!

Existem momentos em que só nos resta silenciar. Eu silenciei. Para curar a dor, para deixar o rancor ir embora, para simplesmente compreender. Enfim, compreendi. Muito mais de mim, muito menos do outro. Mas entendendo a mim mesma, descomplico os demais. E foi isso que aconteceu.

Entendi que saudade não tem a ver com pegar o telefone, e num momento de descontrole, ligar. Saudade é uma forma de manter a dignidade de uma história que passou. É só ficar quietinho, que a saudade se acalma.

Entendi que não há rancor no mundo capaz de apagar os momentos de entrega que passamos ao lado de alguém.

Compreendi que a vida muda o curso das coisas e que isso, descortina diante de nossos olhos, novas e lindas possibilidades.

Aprendi o sentido do passado e a importância do presente.

Hoje, eu estou feliz. E mais uma vez, cheia de esperança, de alegria, de vontade de seguir.

Tive um sonho, em que as ondas do mar, traziam meu RG até mim. Nada mais emblemático, nada mais doce e genoroso. Eu me resgatei. Eu enfim, sei quem eu sou de novo. Me vejo a partir dos meus olhos.

Estou aqui de novo. Não apenas no blog, estou em mim novamente. Um brinde a vida que segue me surpreendendo. Sempre!

Flá.
E depois de um tempo de necessária reclusão, estou aqui novamente! :)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

"O amor se abriu pra mim, logo depois que você foi embora"

Le Cordon Bleu!

Imagine que a vida fosse a "Le Cordon Bleu". Um lugar com todos as cores, sabores, odores e ingredientes que nem cabem na imaginação da gente. Chegando lá, lhe dão a chance de montar o grande prato de sua vida, mas com uma condição: terás que harmonizar o doce e o salgado, precisarás fazer valer o ardido e refrescante. E três chances lhe serão dadas: poderás errar na primeira, permanecer no erro na segunda e finalmente, na terceira chance, reconhecê-lo.

E se fosse assim? E se a vida nos desse apenas três chances para reconhecer o grande erro?

Eu acho que Le Cordon Bleu se dividiria da seguinte forma:

Os egocêntricos, os egoístas, os dedicados, os humildes, os sábios.

Os egocêntricos, no primeiro erro, sairiam dali para abrir sua própria escola que certamente se chamaria, "Le Umbigleu".

Os egoístas, seriam os alquimistas do apocalipse. Misturariam todos os ingredientes que lhes apetecessem, ignorando qualquer dor de barriga alheia que pudessem causar.

Os dedicados, elaborariam teorias acerca do erro tentando decifrar a qualquer custo o enigma da esfinge. Eles perderiam a vida pois gastariam todo o seu precioso tempo elocubrando, e não lhes sobrariam dias para o fluir das alegrias.

Os humildes, repetiriam incansavelmente o mantra: não sei onde eu errei, mas confesso que errei.

Já os sábios, no primeiro erro, sentiriam a dor. No segundo, se redimiriam da falha e no terceiro, seriam egocêntricos o suficiente para saber que o erro enobrece, um tanto egoístas para não se matarem por ele, dedicados na busca do diagnóstico e humildes para, de coração, se desculparem e sentirem-se prontos para seguir adiante.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Eu não estou a venda

Acho que qualquer homem que se vende, vale um preço bem menor do que o que foi pago por ele. Admiro princípios. Meu pai, que tanto errou e que continua errando, soube me ensinar bem o valor deles. O erro faz parte da vida. O que difere um "errador ético" de um "dissimulado convicto" é a capacidade que o primeiro tem de botar as cartas na mesa, de abrir mão do blefe, de ser honesto ainda que isso signifique perder.

Eu aceito tudo o que a vida me dá. Desde que ela não me imponha a seguinte condição: para que você tenha o que tanto deseja, terá que abrir mão dos seus valores.

Eu não abro. Não ignoro a ética, não sei viver sem a verdade, não durmo com a hipocrisia.

Não espere que eu diga o que você quer ouvir só para acarinhar a sua vil vaidade. Eu também não vou jogar na sua cara o que você, por medo da realidade, enterrou a 7 palmos. Não sou dona de verdade alguma, a não ser da minha própria. Mas não espere que eu e te ajude a ignorar suas questões. Nunca ignorei as minhas. Por mais que enfrentá-las, algumas vezes me mortifique.

Sou do tipo que acredita que uma luta se vence pela técnica, pela dedicação, pelo talento, por amor. E se aquele que saiu vencedor, usou de outros meios menos nobres, ele não tem o meu respeito. E o prêmio que ele ganhou, não me desperta desejo algum.

Sou dessa gente que acredita que um bom trabalho supera qualquer contato genial. Sou dos diálogos arrebatadores de Almodóvar. Daquele tipo que ganha noites trabalhando duro, para inspirar alguém e que perde o sono buscando incansavelmente, a minha própria inspiração.

Sou dos que acreditam, dos que trabalham, dos que se doam, dos que se apaixonam pela possibilidade de abrir no mundo, uma janela que seja minha, e que só foi aberta pela presença de princípios.